ENTREVISTA

pe Valnei, China

 

IDENTIDADE

Padre Valnei é brasileiro, nascido no Rio Grande do Sul, na cidade chamada Dr Maurício Cardoso, situado às margens do Rio Uruguai, fronteira com a Argentina. Acesse links :http://brcomboni.org.br/index.php/news/852-pe-valnei-acompanha-jovens-de-macau-a-jmj
http://www.pime.org.br/mundoemissao/testemunhosmacau.htm

 

ORDENAÇÃO

"Ordenação? Isso me lembra uma coisa. A minha paróquia, na China, Macau - paróquia São Francisco Xavier - fez recentemente Ordenação Diaconal: diáconos chineses que posteriormente tornam-se padres. Mas é bem diferente daqui (Brasil), em certo sentido. O rito é exatamente o mesmo, é claro.

Vou explicar a diferença: a última Ordenação Diaconal que eu presenciei foi em Curitiba (2003); estávamos todos fora, esperando os que iam ser ordenados, até que chegou o ônibus com todos eles; foram descendo, um a um, todos de batina preta, todos com aquele colarinho branco, engomado durinho, e a cerimônia o mais parecida possível com a do Vaticano. Estranhei. Na minha paróquia é diferente, é simples."

Eu, em 1993, fui ordenado padre na minha cidadezinha natal e a primeira missa que rezei foi na Comunidade Santo Antonio, interior, vilazinha que só tem umas casas e a Igreja.

FAMÍLIA E FÉ

Sou de família numerosa. Meus pais tiveram 13 filhos, uma menininha morreu nos primeiros dias de vida. 
Digo que meus pais são os grandes missionários comigo,até hoje, porque desde o princípio sempre me apoiaram - sofrem comigo e tudo. Família simples, roça, agricultura, lavoura: soja, milho,trigo. 
Fé vem do berço - no fim do dia, enquanto minha mãe fazia jantar, polenta, não importava o quanto estivéssemos cansados do trabalho na lavoura, rezávamos o terço todas as noites, e os irmãos mais velhos iam ensinando os irmãos mais novos. Os mais velhos é que puxavam o terço. até hoje, Às seis da tarde, os dois ( meu pai e minha mãe) rezam o terço com TV, Nossa Senhora Aparecida,Rede Vida ... os filhos já têm sua própria casa. 
Fé vem do berço. Outra: quando nós, os 12 filhos, éramos pequenos, íamosos 12 com papai e mamãe à Igreja todo domingo. Se chovia, a gente tirava o calçado, ia descalço, quando chegava lá, enxugava o pé , calçava, netrava na Igreja - era para rezar o terço em comunidade, o povo junto. Missa? Só tinha de três em três meses, mas a gente ia todo domingo à Igreja. Hoje, você ouve por aí: "Eu não vou à missa porque meu filho não fica quieto: Qual é a diferença? Os valores mudaram.

Enfim, a fé, eu recebi da família. e até hoje me sustenta.

Outro testemunho de meus pais. Sabe o que a minha mãe fazia quando ela tinha um vizinho doente? Ela acordava mais cedo; em geral acordava às 5, mas então acordava às 4, para dar tempo de fazer antes os trabalhos da casa, ordenhar, etc e assim dava tempo de ir lá ajudar o vizinho doente.

O contato com minha família, todos estes anos eram por carta, por correio. Por quê? Ora, porque assim a minha mãe podia reler, guardar; ela punha na bolsa e mostrava para os amigas, tudo isso! Uma coisa pessoal! Sabe, a midia tirou muito isso - pessoal.

DIOCESE E COMUNIDADE APOIAM MISSIONÁRIO AD GENTES

Até hoje o meu bispo diocesano (Diocese Santo Ângelo, RGS) está sempre em contacto comigo - por carta, por email e quando venho aqui para o Brasil, por visitas pessoais; a comunidade também, em contato também. É um apoio que vem da tua origem, da tua Igreja. Não é o geral ... é o meu povinho, minha cidade, minha terra. É pertença. Até hoje eu me sinto parte dele e eles, parte de mim. É muito bonito. Eu volto para a minha comunidade e eles têm apreço em relação a mim, é uma honra para os da terra terem um filho missionário.

OBS 01 entrevistadora: realiza-se o que se lê na REDEMPTORIS MISSIO 77: "A participação das comunidades e dos indivíduos cristãos" " manifestar solicitude por aqueles que estão longe e pelos que estão perto: reza pelas missões e pelas vocações missionárias, ajuda os missionários, acompanha-lhes a actividade com interesse e, quando regressam, acolhe-os com aquela alegria, com que as primitivas comunidades cristãs ouviam, dos Apóstolos, as maravilhas que Deus operara pela sua pregação.";
e na RM78: "acompanhar os passos dos missionários" 
OBS 02: realiza-se também CONCÍLIO VATICANO II - Ad gentes PT 22 - CAPÍTULO VI-Dever missionário das comunidades
37 Como o Povo de Deus vive em comunidades, sobretudo diocesanas e paroquiais, e é nelas que, de certo modo, se torna visível, pertence a estas dar também testemunho de Cristo perante as nações.
Assim, toda a comunidade reza, coopera e exerce actividade entre os gentios, por meio dos seus filhos a quem Deus escolheu para este importantíssimo encargo.
É muito útil que, contanto que não crie desinteresse pela obra missionária universal, manter relações com os missionários oriundos da própria comunidade ou com determinada paróquia ou diocese das missões, para tornar visível a comunhão entre as comunidades e contribuir para mútua edificação.
Íntegra RM e VAT II http://www.cenaculosmissionarios.org.br/ODCM/ContinentesVirtudes/VIRTUDES.html

 

CATECUMENATO

Lá em Macau/China eu sou vigário paroquial. O catecumenato é na paróquia, sempre, porque a fé cristã precisa da comunidade, da comunhão porque é comunitária. Pessoas que vêm de outras religiões, de outros ambientes não conhecem dimensão comunitária da fé. Isso é uma coisa difícil de eles entenderem, não conhecem. Por exemplo - uma pessoa que vem do Budismo; Budismo é uma devoção praticamente individualista, "Sou eu e Deus", eu vou lá, eu rezo, eu oferto, eu vou embora. Para ele, "comunitário" é um processo difícil no início. 
Nos primeiros meses, ele participa só de catequese, uma vez por semana, uma horaIsso dura pelo menos meio ano. O catecúmeno participa de missa só depois. Não da missa inteira - permanecem só até a leitura do Evangelho, então vão para outra sala com o professor de catequese, que pode ser um padre, uma freira, um leigo, sempre um chinês ou chinesa, é claro; eu sou o único estrangeiro lá. O pároco lá é chinês também.
A paróquia tem sempre 4 ou 5 grupos de catequese, grupos de 8 a 10 pessoas: jovens adultos, mais mulheres que homens, muitos universitários; eu poderia dizer que são de 32 a 50 catecúmenos. Desses, em geral 80% chegam ao batismo , o que é uma média bem alta. A catequese dura 2 anos e no fim sempre tem alguns quevêm que "não é isso que pesnava, queria". Eu sempre digo:" Você é quem tem que tomar a decisão" Cada catecúmeno, no fim dos 2 anos, cada catecúmeno que quer o batismo tem que escrever um pedido por escrito, assinar, tudo; eles sabem que trata-se de um ato livre.
Do grupo de 50, digamos, menos da metade "que busca" é gente que vem do Budismo. Os outros, a gente pergunta: "Você tem religião?" e eles respondem que não; eles têm várias crenças. mas não têm religião, tÊm um vazio e por isso buscam.Aliás, é natural, porque na China, o sistema governamental não permite religião de 50 anos para cá não tem religião. Religião é o partido. A situação social, econômica das pessoas, ok. Mas o vazio é esse - vêm procurar. É um número alto de jovens universitários que vêm procurar, porque na universidade eles estudam que existemvárias religiões.

CONTATO COM CRISTIANISMO

Os catecúmenos chegam a nós por várias vias. 
A maioria vem porque conhecem uma pessoa católica. 
Outros porque tiveram estudo básico infantil em escola católica. Por exemplo: tem uma escola católica perto da gente; lá tem 3500 alunos. Só 60 são católicos; o rsto é gente que "tem um pequeno contacto", ficam sabendo que existe católicos. Daí vão embora, depois dos estudos; depois, qunado adultos alguns voltam, procuram caminhos, voltal, perguntam. 
A midia e a Internet é também um meio que faz pessoas virem até nós perguntar: " O que é cristianismo?" 
Ainda tem outra coisa que acontece; pessoa que passa na rua, na frente da igreja e na frente de nosso escritório do Centro Paroquial (cuja porta dá na rua direto ), entra e pergunta, quer saber: "O que é Deus?" "O que é isso?" Eles não têm Deus; os budistas têm deuses, assim, do jeito de entender deles- mas os chineses não têm Deus, não conhecem.
Um quinto e último jeito deles nos procurarem é o seguinte - caridAde. Ficam sabendo de obras sociais, ajudas, principalmente a Cáritas, muita conhecida por lá. E querem saber o que é, por quê fazem isso, etc.

Enfim, é assim que começa a existir pessoas no grupo de catequese de catecúmenos. quando eles "buscam" - buscam ou o Budismo, ou o Taoísmo, ou o Cristianismo.

BATISMO

Em outubro de 2012,houve nosso Batismo dos catecúmenos e ao invés de ir a um restaurante e fechar as janelas com papel, nós resolvemos alugar uma sala de eventos em um hotel, assim, para garantir mais dignidade, né? E também para a gente não sofre o medo. Mesmo assim, no hotel sempre tem câmeras que filma, é perigoso. Na porta da sala de convenções nós colocamos um cartaz e escrevemos somente "Reunião de Brasileiros", festa de brasileiros, porque não pode pôr "Missa".

Esse é o jeito com que a igraja cresce em Macau, batismos assim. O outro jeito é o batismo de filhos de casais mistos; quando o noivo e a noiva, juntos, fazem o curso de noivos, incluem também o acordo entre eles de batizarem os filhos que nascerem. Esses filhos, porém, só são batizados quando adolescentes. 

Batismo Textos Missionários Estudos Jales Entrevistas Missionárias Aula de macua
Entrevistas Missionárias
Admin
"... o êxito de nossos trabalhos vêm também das
orações que vocês fazem." 
Cenáculo Missionário